
crash 2010...a crise não passou?
O pior da crise parece ter ficado para trás. As economias voltaram a crescer, as bolsas seguem animadas e os bancos regressaram aos lucros. No entanto, nem todos concordam que o pior já passou.
O economista Santiago Niño Becerra acredita que 2009 não foi o verdadeiro ano da crise e que todos se devem preparar para um 2010 difícil. No livro "O Crash de 2010", Becerra defende que a quarta crise sistémica do capitalismo terá lugar para o ano e será a penúltima antes do fim do sistema.
A dois dias de acabar 2009, pode parecer pouco credível que 2010 traga um colapso económico mais severo. Apesar de números como os do desemprego ainda serem alarmantes, os restantes sinais apontam para uma recuperação. Segundo Becerra, os últimos meses não foram mais do que uma pausa na tendência de descida.
"A tendência continua a apontar para o mesmo: um crash", explica o economista ao i. "Esta interrupção da queda foi motivada pela decisão de ignorar o estado de ruína de um grande número de activos financeiros e os estímulos directos e indirectos injectados pelos Estados e bancos centrais".
Tratam-se de eventos transformadores que acompanham a evolução dos sistemas. São inevitáveis e normalmente violentos. "Desde os primórdios da nossa era os sistemas apresentaram uma duração média de duzentos e cinquenta anos", afirma Becerra. Mais: "Uma crise sistémica é um acontecimento extremamente raro." O economista defende que esta será a a 19ª crise sistémica na História da Humanidade.
"O sistema chegou ao ponto de esgotamento", sublinha o autor. "O gatilho pode ser qualquer facto." Desde um ataque israelita ao Irão, a um grande produtor de petróleo revelar que as suas reservas são menores do que o esperado, até ao anúncio de um grande banco de que a qualidade dos seus activos é pior do que se pensava.
"A crise, a verdadeira crise, quando rebentar, em meados de 2010, será tremenda, paralisante, uma autêntica queda a pique; será deflação, depressão, nada comparável a passadas recessões que você tenha vivido. Durante o período 2010-2012 o nível de queda vai ser brutal, terrível. As economias de muitos países como Espanha, Alemanha, Estados Unidos e China irão naufragar. Será algo semelhante ao sentimento que se reflecte nos rostos das pessoas que mostram as imagens tiradas durante a Grande Depressão", estamos falando de um período de 10 anos, escreve Santiago Becerra em "O Crash de 2010".
Ainda não. O professor de economia defende que, apesar das alterações profundas que irão ocorrer na próxima década e de já se ter chegado à curva descendente do sistema, o seu fim só será concretizado em meados deste século. Acrescenta Santiago Becerra: "O sistema capitalista está em fase de transição [...] não é alegre nem é triste. É assim e pronto."
Para o economista espanhol não podem ser apontadas culpas a ninguém, nem a banqueiros nem a governantes. E dificilmente o percurso poderia ter sido outro: "Trata-se de um esgotamento da forma de fazer as coisas."
Na opinião de Santiago Becerra, o conceito-chave para a sociedade pós-2010 será utilidade. Ser eficiente nos meios de produção. "Entre 60% e 70% do PIB dos países desenvolvidos baseia-se no consumo de bens e serviços que, na maioria, não são necessários, considerando a quantidade de commodities requerida para a sua fabricação" [...]. Quase ninguém no mundo rico está acostumado a pensar por que gasta, para que gasta e o que vai obter com o gasto que vai realizar."

"O presente momento é uma janela cheia de oportunidades mas não está aberta por muito tempo, uma verdadeira ordem mundial, pacífica e solidária pode ser construída - Estamos à beira de uma transformação global. Tudo o que precisamos é uma grande crise e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial."
David Rockefeller